A pimenta mais ardida do mundo

chili

 

Sempre haverá os que gostam de pimenta e os que não. Você gosta? Não? Então volte ao conforto da sua timelinesinha para debater o mensalão, o futuro da mídia e mimosidades afins.

Os que gostam de pimenta são experimentadores e propensos a excessos. Acho que posso me incluir no grupo. Somos gastromasoquistas, fissurados na sensação de dor causada pelo contato da capsaicina com a língua. Lava derretida e agulhas incandescentes.

Lauren Miller, na  New Yorker, diz que é como saltar de paraquedas. Você se expõe em uma experiência radical mas sabe que são remotas as chances de morrer.

Os americanos levaram o homem à lua mas também promovem campeonatos de cuspe à distância desde tempos imemoriais. E são eles, junto com os britânicos e australianos, os que mais gastam energia para ver quem tem a pimenta mais ardida do mundo. É uma briga para ver quem permanece no Guinness, o livro dos recordes.

Portanto, ardume nos dias de hoje não é algo subjetivo. Não é uma questão de gosto.

Os nerds e a universidade adotaram a escala Scoville, desenvolvida em 1912 pelo farmacologista Wilbur Scoville, como a régua universal para dizer quem é quem no maravilhoso mundo dos chilliheads, que é como são chamados os fissurados. A unidade da escala Scoville é o SDH.

Para fazer uma comparação, enquanto o molho tabasco atinge 2500 SDH, a Bhut Jolokia, considerada a mais ardida do mundo, chega alcançar mais de 1.000.000 SDH.

São consideradas superhots todas as que ultrapassam a marca dos 500.000. Todas têm nomes divertidos: Armageddon, Borg 9, Naga Morich e Brain Strain.

Acabo de comprar pelo Mercado Livre, de um vendedor brasileiro, as sementes de duas superhots: Bhut Jolokia e Trinidad Scorpion.

Despachei-as imediatamente para a casa de meu pai, um apreciador de quatro costados. Todos sabem que ele cultiva o hobby de preparar conservas.

Agora experimento o óleo de um pequeno vidro que Edward Sênior me deu. O óleo concentra o gosto. Não sei dizer qual é a espécie, mas são algumas gotas e começa um rápido soluço. Esquenta. Endorfinas liberadas na corrente sanguínea. Suor. Você está vivo, enfim.

É difícil explicar o quanto isso tudo faz parte da nossa história. Ele acabou de me mandar um e-mail dizendo “já plantamos, até o Natal veremos os resultados”.

Não vejo a hora do Natal chegar.

 

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