As mulheres de Darel Valença

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Darel Valença Lins, um dos maiores gravadores brasileiros, completará 90 anos em 2014. Primeiro fez fama, na década de 60, com suas gravuras em metal monocromáticas, séries de vistas aéreas de paisagens urbanas. Absolutamente incríveis.

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Mais tarde, entre os anos 1970 e 1990, dedicou-se às mulheres. Ele consegue um registro tão alto de refinamento em sua Erótica que é difícil compará-lo a qualquer outro artista brasileiro no tema. O que mais se destaca são as cores, a obsessão pelo clima de boudoir e um certo decadentismo sempre presente em suas prostitutas.

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Confesso que Darel é para mim uma descoberta tardia. Ele fez colaborações para revistas, conheço seus trabalhos em Nova e Playboy, mas as gravuras são o seu melhor.

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Acabo de achar num sebo o livro ‘Gravura : Darel Valença Lins, Eduardo Sued, Iberê Camargo e Octavio Araujo”, publicado pela Nova Fronteira em 1973. A obra, editada em papel pardo e com reproduções da produção contemporânea dos quatro, tem prefácio de Antonio Houaiss.

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Um comentário sobre “As mulheres de Darel Valença

  1. O ávido Darel Valença estudou na Escola de Belas Artes, entre 1940 e 1942, a começou a trabalhar numa usina em Catende, distante 13 quilômetros de Palmares, terra onde nasceu em 1924, Morais (2004). Esta usina foi a mais importante de Pernambuco da década de quarenta segundo o próprio Darel (1996). Lá o artista foi aprendiz de desenho técnico. Da usina saía o açúcar para São Paulo, até quando os paulistas resolveram fazer o próprio açúcar e as usinas de Pernambuco começaram a entrar declínio, devido ao problema do transporte que encarecia o produto dos maiores latifúndios do Brasil. As usinas assim foram assim pouco a pouco perdendo sua importância como os principais fornecedores de açúcar.

    Antes mesmo de se interar com o trabalho de desenhista técnico, aos 13 anos de idade Darel já desenhava nas paredes da casa do seu avô, que os achava muito interessantes. Darel (1996) cita um artista do interior de Pernambuco como o responsável por acender seu interesse pela arte, seria esse o Barjardo, o qual desenhava talões de jogo do bicho. Vendo os desenhos de Barjardo, Valença se afeiçoou sensivelmente pelo lápis sobre o papel e começou a dar sentido às garatujas que o mesmo realizava livremente com carvão nas paredes da casa de seu avô.

    O fato de Darel trabalhar numa usina de um senhor que mandava surrar seus trabalhadores em praça pública, o fez sair de Catende aos 17 anos. Melhor explica Moraes (2008) a respeito desse cenário e do sentimento do artista em relação à vida e a experiência vivida ali em Catende:

    “Um mundo opresso, com moenda cuspindo a bagaceira e o budum do melaço e da rapadura nauseando a vida. O menino Darel, ao contrário do menino José Lins, detestava aquilo. Não é que fosse mofino, mas sua sensibilidade revolta-se contra o espetáculo do cotidiano dos feitores baixando o cipó-pau nos camponeses. Aquilo doía-lhe na alma e ele não podia fazer nada. A cena da mulher cancerosa vendo o marido ser espancado, nunca mais lhe deveria sair da mente. Ali o sofrimento exsudava açúcar, e a pele doce dos cortadores de cana não amenizava o amargor de suas existências sofridas.” (MORAES, 2008, p. 05-06)

    O “budum” ou mal cheiro do melaço junto a todas essas atrocidades das injustiças sociais presenciadas por Darel o fizeram não aceitar mais sua presença ali. Ainda segundo Darel (1996) o outro motivo de sua ausência era chamado de uma “força interior” que o levou a procurar cidades maiores para desenvolver sua arte que pedia expansão.

    A necessidade irreversível de desenhar do artista o inquietou, Darel parte para Recife e lá ingressa na Escola de Belas Artes. É expulso por insistir em trocar os modelos indicados do professor por fotografias do cinema, Morais (1985). Essa experiência em Recife fez ainda Darel exaltar-se e dizer que quase nada aprendeu, garantindo que nunca leu um livro de técnicas artísticas. Morais (1985) ainda ressalta que Darel sempre gostou de cinema e de revistas ilustradas, que enquanto menino mesmo, ao terminar o filme, corria às pressas para recriar em casa, no papel, o que deslumbrara na tela. Era esse tipo de imagem globalizada, distribuída pelas revistas e pelo cinema que despertava o entusiasmo do jovem artista, que também o fez criar novas imagens. Isso era o que fazia Darel um inventor e não um estudante disciplinado.

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