Monte sua biblioteca com o método prático da menina sem qualidades

Ana (Bianca Comparato) e O Homem sem qualidades na banheira
Ana (Bianca Comparato) e O Homem sem qualidades na banheira

Dos quatro primeiros capítulos de A menina sem qualidades, a minissérie da MTV, vi dois na TV e os outros recuperei no site, no dia seguinte. Para quem não viu, a emissora anunciou que vai exibir os quatro de uma vez no esquema de maratona, a partir de hoje, às 23h.

Algumas semanas antes da estreia, o diretor Felipe Hirsch disse que uma boa história é sempre mais importante do que a plataforma ou o meio tecnológico de exibição. É bem old school, também sou assim, romântico. O mérito da série, aliás, está em conseguir que alguém vá para a frente da TV aberta à meia-noite com a finalidade específica de vê-la.

Até aqui, A menina sem qualidades trouxe pouco sexo e muita literatura. E ótima música. Ana, a protagonista vivida por Bianca Comparato, gosta de ler na banheira. Leituras cabeçudíssimas.

No primeiro episódio, enquanto passeia pelo bosque e beija a namorada, Ana resume a história de amor do romance A espuma dos dias (1947), de Boris Vian, que acaba de virar filme. “Chloé tem um nenúfar”, ela conta. E engata logo a súmula do clássico iraniano A Coruja cega (1937), de Sadegh Hedayat.

Ana é leitora onívora. Sua mãe, cuja alma melancólica parece aprisionada num vinil do Cure ou do Jesus and Mary Chain, revela que a menina já leu russos, gregos, existencialistas, Marx e Freud. “Qual é mesmo aquele do inferno que eu gosto, Ana?”. Na aula de política, a menina causa polêmica ao sugerir que Senhor dos Anéis é uma metáfora da guerra.

Eis que a menina vai para a banheira com Robert Musil e seu O Homem sem qualidades. Ela lê em inglês, claro. A minha edição em português, da Nova Fronteira, tem 1273 páginas. Não é leitura fácil, mas em suas mãos delicadas o calhamaço é praticamente um vira-páginas. Ela deve gostar especialmente do capítulo 46: Ideais e moral são o melhor meio de preencher o grande vácuo a que chamamos alma.

Neste momento ela está às voltas como The evolution of cooperation, de Robert Axelrod. Tem biologia, matemática, filosofia, teoria dos jogos, enfim, um pacote completo de complexidade.

Abaixo está a primorosa trilha sonora da minissérie. Enjoy. Veja Epimenta no Facebook.

Quarto capítulo

01 – Myrrhman – Talk Talk – 30s

02 – Lauft.. Heisst Das Es Lauft Oder Es Kommt Bald.. Lauft – Faust- 2min15

03 – Quantum Physics – Can 3min12

04 – Pop Eclectic (1968) – Bernard Parmegiani – 37s

05A – Dysnystaxis – Sun O)))) – 33s

05B- HZ Waltz – Monoton –  33s

06 – Lights In the Sky – Nine Inch Nails – 1min21

07 – Nobody’s Diary – Yaz – 3min17

08 – Brand – New – Life – Young Marble Giants – 1min38

09 – Intro _ A Cosmic Drama – Flying Lotus – 1min57

10 – Super – Neu! – 3min05 (créditos finais) 

Terceiro capítulo

01-  Alone Again Or – Love – 1min07

02 – The Unquestioned Answer – Laurie Spiegel – 3min38

03 – Nothing Left To Lose – The Wipers (banda da garagem tocando)

04 – Strawberry Soda – Royal Trux – 1min16

05 – La memoire des sons –  Bernard Parmegiani – 16s

06 – I Found A Reason – The Velvet Underground – 4min17 (créditos finais)

Segundo capítulo

1- Ghost Rider – Suicide –  1min24

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