Análise semiótica da quarta – Simone de Beauvoir [update]

"Frenchys" não costumam fechar a porta do banheiro, disse Nelson Algren, amante de Simone, ao amigo fotógrafo Art Shay
“Frenchys” não costumam fechar a porta do banheiro, disse Nelson Algren, amante de Simone, ao amigo fotógrafo Art Shay

Esta imagem, capturada pelo fotógrafo americano Art Shay, tem 60 anos. Simone de Beauvoir, então com 42 , acabara de sair do banho. Incríveis a força e a vitalidade do torso, do derrière, das pernas.

Pensando bem, há algo comum às fotos íntimas que “vazam”. É o fato de que, intimamente, o fotografado pode excitar-se com a hipótese de que a imagem possa vir a ser observada publicamente.

Hipótese hoje menos remota do que há 60 anos.

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“Ela sabia que eu a havia fotografado, porque ouviu o clique da minha Leika”, confidenciou certa vez Shay, que era amigo de Nelson Algren, namorado americano de Simone.

No ano seguinte, Simone e Algren resolvem ser apenas bons amigos. Ela sofreu muito com a separação, mas pouco tempo depois começou a namorar Claude Lanzmann, então com 27 anos, um dos novos articulistas da Les Temps Modernes. Em 1953 termina de escrever Os Mandarins, seu premiado roman à clef. Depois falo sobre roman à clef.

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Uma das convicções trazidas pela internet é a de que, além dos filmes, também as imagens eróticas estáticas são mais poderosas quanto mais próximas do real.

Numa época em que as pessoas produzem e compartilham aos milhões suas próprias imagens, uma foto que se pretenda pornográfica ou erótica não pode subestimar a força de um registro amador.

Tecnicamente, uma boa imagem erótica não pode conter exageros cosméticos e atitudes ostensivamente poseurs. A fotografia é e sempre será uma representação. Mas a melhor imagem erótica é a que mais se aproxima da crueza de um retrato amador.

As amadoras são pouco elaboradas do ponto de vista narrativo. Querem contar um mínimo de história, são primitivas em sua intenção de registro factual de uma situação real de sexo e/ou intimidade.

Ou pode ser o simples flagrante de um momento íntimo, sem preocupação com a qualidade técnica do registro, como no caso dos despretensiosos self shots de Scarlett Johansson ou mesmo esta incrível série de Art Shay reproduzida neste post.

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