The Cure é amor

The Cure é amor

Estou pensando numa justificativa para o fato de que nós andamos por aqui comprando ingressos para o show do The Cure em São Paulo, em 6 de abril de 2013,

Tenho um EP em vinil pirata do Easy Cure (1976) comprado numa banquinha de Convent Garden há mais de vinte anos, mas não pode ser a única explicação.

Acho que é porque o Robert Smith sempre foi um artista que privilegiou a estética e sabiamente descartou a política. Eu odeio arte política.

Quando penso nos clipes de Head on the door ou Kiling an arab, a impressão é de que estamos diante de uma banda interessada nas relações da música com o cinema, a moda e a literatura.

O Cure é a celebração do amor no nosso tempo.

Hoje o professor João Braga me ensinou que os emos — as crianças sensíveis pós-góticas — se reúnem na casa dos pais viajantes para fazer “pizzas” amorosas em que não há consumação sexual, é um amontoado de carinho e choro entre meninos e meninas indistintos.

O Cure sempre foi um pouco essa coisa andrógina que nós, os machões hormonais do interior, intuitivamente aceitávamos — e adorávamos — porque era a única conexão com os resíduos possíveis e socialmente adequados de sensibilidade artística em nós.

Os inofensivos emos são filhos do Cure, assim como o Cure é primo desvirtuado (graças a deus) dos punks anarquistas e inimigo dos esquerdistas-limonada do U2 e de toda essa gente babaca que gosta de arte engajada. Ultimamente o engajamento não é mais partidário: as odiosas (e perigosas) “causas” dominam a cena.

O legado do Cure, inofensivo, e talvez inócuo e anódino para muitos: humor fino e amor.

Anda em falta. Por isso, a gente vai ver.

5 comentários sobre “The Cure é amor

  1. Tocou meu coração também!Já escrevi muitos textos embalada por Cure, já vivi paixões, já fiz amor com Cure (Lullaby, acho extremamente sensual e uma metáfora assim, absurda, sim, pode me achar um pouco louca, mas enfim…), me arrependo absurdamente de não ter ido ao show, mas eu me contento as músicas deles no meu Itunes e videoclipes no youtube. O Amor não vai morrer porque eu não pude ir ao show!

    Abraços!

    1. Já ouvi centenas de vezes o seu EP vindo do Jardim do Convento.
      Concordo em gênero, número e grau: O The Cure é Amor ( Até o Lulu cantava isso no seu ” A cura” ).
      Realmente, nós machões do interior, adorávamos as canções, que ouço assiduamente até hoje.
      Me senti citado na frase: “assim como o Cure é primo desvirtuado “.
      Não fui ao show, mas fiquei sabendo que vocês foram, e quase morri de inveja.
      Abraço.

      1. Tinho, caríssimo, jamais esquecerei que você me apresentou ao universo de The Cure, Echo e tantos outros. Lembrei-me de você no show, que foi muito emocionante, chorei feito uma criança.

  2. Sinto tudo isso! assisti ao show dos caras no Rio e fiquei uma semana para me recuperar das sensações loucas que senti ao ouvir Mr. Robert Smith cantando canções que acompanharam a maior parte da minha vida!! Amo esse cara!! Ele ainda toca e canta muito. Isso já é o bastante. Politica… deixa pra lá!!! Eu quero ouvir é Amor e suas consequências … na sua essência!

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