Facebook e a mamafobia — ou mamilogate reloaded

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Hoje o Facebook simplesmente tirou do ar uma foto publicada na página do Museu Jeu de Paume. L’Étude de nu, da fotógrafa Laure Albin Guillot, é de 1939.

Não é a primeira vez que acontece algo parecido. No fim do ano passado o FB chegou a tirar do ar uma publicação da revista The New Yorker, um cartum. Antes, o Centre Pompidou havia passado pela mesma situação.

Woody Allen segura um crucifixo contra o avanço do seio gigante no filme Tudo o que você queira perguntar sobre sexo (1972). Clique para ver uma cena
Woody Allen segura um crucifixo contra o avanço do seio gigante no filme Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar (1972). Clique para ver uma cena

O FB é do Zuckerberg. Então ele faz o que quiser e estamos combinados. Mas isso não significa que não se possa comentar — e discordar — dos critérios para banir esse ou aquele conteúdo. É o que sugere a Les Inrockuptibles neste artigo.

Analisemos o seio.

Há contextos em que é exclusivamente maternidade, alimento, núcleo familiar. Em outros, é símbolo de liberdade — a Marianne na pintura de Delacroix é liberdade lato sensu, enquanto o topless das feministas dos anos 60 e das meninas do Femen tem um recorte político mais estreito.

Virginia Gordon, fotografada por Russ Meyer
Virginia Gordon, fotografada por Russ Meyer

O seio é um órgão no contexto da medicina, arte na escultura de Alexandros de Antióquia e nos livros de Philip Roth, softporn kitsch nos filmes de Russ Meyer.

Os robôs do Facebook só entendem uma coisa: seio.

Eles partem do princípio de que seio não pode.

Não dá mesmo para exigir que resolvam para nós a eterna discussão sobre os limites entre arte e pornografia. Por via das dúvidas, eles estão sempre muito tentados a banir e liquidar o assunto.

Mas o fato é que a história expõe uma fragilidade da plataforma. Como fazer com um grupo de mães que quiser abrir uma comunidade sobre aleitamento materno?

Não entendo muito aquela história do Spring Break

E ainda, por que o seio?

Por que o bumbum tem, aparentemente, um status de amplíssima liberdade enquanto os pobres seios são perseguidos implacavelmente? Tem a ver com a mamolatria americana? Culpa, pecado, puritanismo?

E ainda, porque o FB não gasta energia para identificar racismo, imagens violentas, correntes inúteis, platitudes espirituais, causas de todo o gênero, haters e congêneres?

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