O grande romance árabe depois de Raduan Nassar

Mas e se a Dita Von Teese servisse o drink em questão ?                                       [Aviso: Isso não é product placement]
— “Cointreau, be Cointreauversial”, não é infame?

— (riso contido mãozinha na boca).

— Vê lá se um dia vou chegar num lugar e pedir um cálice de Amaretto. Tipo, oi, me vê um Amaretto aí. Tem coisa que define. Amaretto define, é um troço que, sei lá, o Afonso Romano Santana vai pedir.

Ontem chegamos em casa depois do jantar e engatamos umas cervejas. Recentemente descobri uma pale ale feita no Brooklyn que é absolutamente viciante. Antes de mais nada, eu não queria fazer parte desta história porque é um modelão manjado isso tudo, parece roteiro de minissérie americana, sei que tem um monte de gente que acha isso o máximo mas come on. Vou abrir mais essa exceção como prova do meu exercício diário de tolerância, porque acho que todo mundo precisa colaborar, embora eu já esteja um pouco cansado da exploração da indústria da mídia brasileira.

Vejo aquele espertinho redator zipando o arquivo para a aprovação do cliente. O idiota do cliente abana um chumaço de sessenta e três mil dólares e os espertinhos têm arrepios dentro dos blazers. Daí está aprovado: “Cointreau, be cointreauversial”. Que quer dizer o quê mesmo? Nada. Quer dizer que quem vai ao restaurante e pede um cointreau é dado a controvérsias? Come on. Come tha fuck on.

Quando começam os jogos olímpicos, reza a lenda, o mundo deve se manter em paz enquanto a pira estiver acesa. Pois vai dizer isso para os meus patrícios. Você pega a pira, encaixa onde achar que deve e roda. A resistência em Alepo. Meu bisavô é um Homsi, há piadas sobre os naturais de Homs, pegou um navio e veio fazer a vida no Brasil em 1863. Mas antes esfolou até a morte um engraçadinho que tinha estuprado sua irmã. Digo que herdei esses genes. Metaforicamente.

E como São Paulo é o túmulo da literatura brasileira, quando eu escrever o grande romance da minha geração não será o grande romance paulista do começo do século. Será o grande romance árabe depois de Raduan Nassar. Vocês deveriam ter vergonha de ficar escrevendo essas croniquetas de quinta categoria nesses blogues amadores que vocês tem. O Raduan enxergou e sambou na cara dessa penúria criativa muito antes do começo da internet comercial brasileira. Eu sambo sistematicamente na cara da bundamolice instituída dos escritores com suas fan pages, aff, no Facebook.

Não é que é fácil. A literatura é um estado mental, estou super produtivo pensado em literatura o tempo todo. O negócio de sentar e escrever é só uma etapa do processo. Uma etapa importante, claro, mas é só uma etapa. Pensando num romance que seja a súmula do nosso tempo, um projeto que contenha toda a maravilhosa epopeia pornográfica do Reinaldo Moraes mas que, ao mesmo tempo, consiga expressar os hábitos e costumes do mundo globalizado a partir da Vila Madalena. Não é foda? É só chegar uma hora e sentar para escrever. Mas não é fácil. Se fosse fácil, todo mundo faria.

— Pega mais uma India Pale Ale 63, babe?

— (riso contido mãozinha na boca).

A Ana tem 25 anos, é muito mais nova, estou chegando aos trinta, a gente adora beber juntos, a gente é super companheiro. Ela vai fazer a capa do livro, é uma designer muito foda, minimalista. Tudo é muito minimalista, se você for pensar. A capa é superimportante. Uma boa capa é elevar a literatura a uma outra dimensão, porque de repente você possui aquele objeto, o livro, e tudo está pensado para que você tenha uma experiência estética completa. Porque literatura todo mundo vem fazendo desde que o mundo é mundo, está todo mundo angustiado, entupido com isso. Mas a experiência completa? Come on.

Chega uma hora, a gente atinge um ponto, olha, vou parando por aqui. Coincidentemente ou não, a gente fuma um, depois um marlboro cremoso. Mas tem um filho da puta de um cara que mora no andar de cima que meio que andou chamando a polícia. Pode, Arnaldo? Chamar a polícia só porque alguém está fazendo as três melhores coisas que alguém pode fazer: india pale ale 63, fumar e californication.

E vocês fiquem aí chupando a tocha olímpica porque hoje a ressaca deste escriba é momumental e amanhã preciso entregar um frila. Um frila sobre cuidados com as crianças na casa. Que coisa mais filha da puta. Alguém acaba de tocar a campainha.

Veja também:

David Alan Harvey em    http://vimeo.com/17855680

David Alan Harvey em  http://davidalanharvey.tumblr.com

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3 comentários sobre “O grande romance árabe depois de Raduan Nassar

  1. Gostei, Edward! Agora é aguardar com paciência o grande romance árabe depois do Raduan. Maktoub: só um Homsi será capaz disso.
    Abração!

  2. Bão num tá. Mas é engraçadin. Literatura Mentos com Coca Zero — bora pastichar, misturar oxímoros e, quem sabe, algum crítico curta a reação. Algo assim. Na média. Mas é aquele negócio, né: todo texto escrito com raiva descamba pro sexo ou pro espelho enfiado no rabo. Vejo-te aí, na segundona, caro Edu com W. O míope sofisticado. Esse exercício, imagino, deve ajudar a sublimar muita coisa aí. Bão procê. Mas falta originalidade, tio. Não passa, por ora, de um adolescente pós-bullying. Mal. Mas é real. Abraço e, vale lembrar, CURTO MUITO SEU TRABALHO. Hahahaha!

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