Escrever no corpo, fetiche do verbo na carne [fotos]

Bar Refaeli, em Esquire: no princípio era o verbo e o verbo era Deus e o verbo estava com Deus e se fez carne e habitou entre nós

Ina Saltz é designer, professora, diretora de arte especializada em revistas. Quando nos encontramos, em 2008, em Palo Alto, fiquei paralisado diante das tatuagens em seus braços. Ele tinha então 57 anos, usava um super óculos de grau de gatinha, loira platinada chanel, 1,50m, uma personagem incrível.

Nós falávamos sobre design de revistas mas eu intuia que o negócio dela era outro: tipografia e palavras escritas pelo corpo. Foi a primeira vez que pensei sobre o assunto, embora já tivesse assistido ao belo filme do Greenaway, O livro de cabeceira. Você já viu?

Ina tem uma fixação pela forma e conteúdo das letras que as pessoas imprimem em seus corpos.

Esta é, a propósito, Ina Saltz :

Ina e o seu livro superfamoso

Escrevemos sobre a pele desde pequenos, com a caneta esferográfica, e continuamos a tatuar nossos corpos com ideogramas orientais, dizeres, mantras, frases inspiradoras, brocardos, lemas, passagens de livros, citações, caligrafia hebraica, nomes próprios.

Não penso apenas em tatuagem.

Também nas cicatrizes, queimaduras e na caligrafia aplicada com a tinta e tudo o mais que se esvai com a água do banho. E em como isso tudo chegou à estética da publicidade, das manifestações públicas e à arte.

Stefan Sagmeister, admirado pelos designers no mundo todo, é um dos que mais contribuíram para popularizar a estética do texto na pele; acima o poster que fez para o disco Set The Twilight, de Lou Reed, e o próprio Sagmeister em processo de cicatrização

A pele não é entendida, pelo menos no Ocidente, como suporte para textos. Escrever no corpo é também profanar o corpo. Mas é uma marca de nosso tempo: o desejo de transferir a palavra do papel para a pele com propósitos ideológicos, espirituais, eróticos ou meramente estéticos.

As meninas do Femen protestam ora com esmerada caligrafia ora com garatujas a la palimpsesto de porta de banheiro

Interessante notar que o sucesso das moças do grupo feminista Femen está no fato de que se valem da mesma estratégia da pornografia, com propósitos diferentes.

É só comparar.

O http://fleshscribe.tumblr.com (não abra se você for uma alma por demais sensível à pornografia) é um site “de orientação” sadomasoquista que apresenta mulheres com os corpos escritos por seus amantes.

É quando escrever sobre a pele mais se aproxima de uma perversão.

Imagens do Tumblr Flesh Scribe

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