O dia em que Marilyn se escondeu de Norman Mailer

Norman Mailer (1923 – 2007) na capa da Time com Marilyn Monroe

Mailer recebeu a encomenda de escrever o prefácio de um livro de fotografias de Marilyn Monroe. Era para ser um texto de 10 mil palavras, mas ele rapidamente chegou a 25 mil. Passou a mão no telefone e disse ao agente que a editora deveria se preparar para um livro inteiro.

Pois este é o livro que a Record acaba de republicar no Brasil, infelizmente sem as magníficas fotos da edição original (1973). Polêmico como todo livro de Mailer. No capítulo final, ele sugere que Marilyn teria sido assassinada por agentes da CIA, por causa de seu suposto affair com Robert F. Kennedy.

Publiquei abaixo um vídeo legal que fala sobre o dia em que foi convidado a beber na casa de Marilyn, então casada com Arthur Miller, seu conhecido. Quando Mailer chegou acompanhado de sua mulher Adele Morales foi logo informado pelo anfitrião de que Marilyn tinha saído. Adele, no entanto, jura que Marilyn se escondeu no andar de cima, com medo de encarar Norman Mailer.

Veja:

Trecho do livro

“A ousadia com a qual podia se exibir e ainda assim nunca ser grosseira; sua exuberância sexual e suas bravatas, que ainda assim exalavam um ar de mistério e mesmo de reticência; sua voz, que continha tantos laivos insinuantes de excitação erótica, e ainda assim era a voz de uma criança tímida – essas complicações eram parte integral de seu talento. E descreviam uma jovem presa em alguma terra do nunca da inconsciência.”

Veja mais sobre o livro aqui: http://bit.ly/MarilynLivro

Para começar a ler Norman Mailer

Se você ainda nåo conhece o Norman Mailer, sugiro então que comece por The Armies of the Night, ou Os degraus do Pentágono, na tradução brasileira. Primeiro, é um livro autobiográfico. Mailer fala de Mailer na terceira pessoa. Trata da Marcha sobre o Pentágono, realizada no verão de 1967, contra a Guerra do Vietnã.

Era uma época em que as marchas nada tinham que ver com a cantilena das minorias “progressistas” ressentidas que se articulam pelo Facebook. Reparou que hoje há hipernichos de minorias? Lésbicas disfarçadas de sluts, maconheiros ecológicos, peladões amigos dos animais. Tem para todos os gostos. É por isso mesmo que você deve ler. Para lembrar que um mundo sem tantos babacas é possível.

Norman Mailer fez quase tudo na vida. Casou-se cinco vezes, teve nove filhos, bebeu e tomou drogas por décadas a fio, esfaqueou uma de suas ex-mulheres numa briga e ganhou fama de mau. Fundou a revista Village Voice em 1955 e foi preso na Marcha sobre o Pentágono.

Em 1969 ganhou o National Book Award, no mesmo ano em que candidatou-se à prefeitura de Nova York e perdeu. Faturou o prêmio Pulitzer duas vezes e, o mais importante, tornou-se um dos mais importantes escritores de todos os tempos.

Leia o trecho que escolhi especialmente para você:

“Uma noite sem uma dama de má reputação era como um companhia de ópera sem uma grande voz. Claro, não havia senhoras dessas categoria quando ele (Mailer) entrou na sala. Algumas esposas razoalvelmente atraentes, sem dúvida, e um par de moças, muito jovens para ele, estavam ainda nos últimos estágios de uma espécie de extraordinária escola progressiva e eram inocentes, espirituosamente decentes, alegres, de bochechas vermelhas, idealistas e profundamente isentas do sentido de pecado. Mailer não saberia o que fazer com tais moças; gastara os primeiros quarenta e quatro anos de sua vida num diálogo íntimo, uma verdadeira dialética, com os arrebatamentos, os espectros, as investidas, as máscaras e rosnadelas, os lúcidos talentos do pecado; o pecado era o seu companheiro dileto, sua tônica, seu carcereiro, seu corcel e sua espada, e não estava inclinado a flertar durante uma hora com uma ou outra das alegres moças de dezessete anos, quando elas concebiam a sensualidade apenas como uma ginástica do amor.”

Norman Mailer, The Armies of the Night

As imagens a seguir foram feitas por Andre de Dienes entre o fim da década de 40 e começo da de 50:

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