Filhos, um dilema capitalista

no kids

Double income, no kids (renda vezes dois, sem filhos), assim os departamentos de marketing do mundo todo enxergam o homossexual urbano, bem colocado, competitivo, produtivo, ávido por consumir bens de luxo que a gente antes chamava de supérfluos.

Para ele são pensados produtos e campanhas de bens duráveis, automóveis-design, cruzeiros single man only, festas sofisticadas e um punhado de outros prazeres.

Um batalhão de heteros tem ido por aí. Ora, não preciso necessariamente casar, ter filhos, comprar um Space Fox, pagar mensalidade escolar, plano de saúde, compartilhar o tempo de trabalho, lazer, va lá, esbórnia, porque absolutamente ninguém é de ferro, diria um profissional liberal de trinta e tantos anos que vive confortavelmente na casa dos pais.

Não importa muito se é intelectual ou se é um executivo desses pragmáticos. Ou se é um nobody Classe C, sem muitas veleidades. O que fica claro é que a decisão de não constituir família — e, por conseguinte, não gerar prole — tem sido encarada cada vez mais como sendo uma atitude libertária, bem alinhada aos preceitos da fina flor das sociedades capitalistas.

E é isso mesmo, concordo absolutamente.

Ninguém — ou quase ninguém — que não tenha tido filhos jamais terá motivos racionais para tê-los. A não ser por uma razão econômica de longo prazo, pouco charmosa, segundo a qual os filhos poderão ampará-lo na velhice.

Mas aqueles que, como nós, têm duas crianças lindas e o prazer de vê-los crescer saudáveis, jamais se dirão arrependidos.

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Um comentário sobre “Filhos, um dilema capitalista

  1. Muito me afeta este seu texto, caro Edward, uma vez que me encontro em momento tão oportuno para tal decisão. Casamento em uma semana, 34 anos vividos por mim e 36 completados por ela. Situação crítica.
    Fecunde agora ou cale-se para sempre.
    O fator decisivo para decidir a prole é entender o que ela representa para você. Empresarialmente estamos falando de um investimento de longo prazo, com alto custo nos primeiros 24 anos, principalmente para os que optam por filho único que receberá uma criação de alta performance que compreende geralmente três idiomas, intercâmbio no exterior, atividades atléticas e faculdade de alto nível. O retorno é incerto na sua velhice pois as noras e genros que virão serão imprevisíveis.
    Encarar filhos com uma lei da natureza em que você necessita transmitir seus genes ao mundo e assim deixar um legado para a humanidade pode não ser algo tão necessário atualmente em um planeta que ja acendeu a luz da lotação. No ano 1900 éramos 1,2 bilhões de habitantes e em apenas 110 anos já somos praticamente 7 bilhões. Calma, é claro que seu filho é importante para o mundo mas estamos falando sobre leis da natureza, aquela que busca o equilíbrio de suas forças e já demonstra decréscimo nas taxas de crescimento vegetativo em escala mundial. Muitos habitantes no mundo, maiores probabilidades de eventos pouco prováveis, aumento de casais homossexuais, meio favorável a transmissão de doenças, catástrofes dizimam milhares de uma só vez com territórios amplamente povoados. A natureza esta tentando nos frear mas nós não paramos de tentar ” vencê-la” .
    Melhor mesmo é encarar como um sonho. Não há preocupações ou expectativas, só há um desejo. Ter filhos e pronto. Não é racional e sim emocional. Apenas quero sentir algo bom. Decididamente eu não pergunto a nenhum pai ou mãe sobre filhos porque a resposta nunca faz sentido, é sempre a mesma coisa.
    – Dá trabalho mas é muito bom.
    Não tente me explicar o prazer de ter filhos, é como explicar ao virgem a sensação do orgasmo.
    Considerando que não sou empresário, defendo a natureza e vivo com os pés no chão, ainda vou esperar um pouco mais para decidir….rs
    Grande abraço do seu amigo angustiado,
    Fabiano Nogueira.

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